quarta-feira, 17 de novembro de 2010

FARDAS CINZA

Há alguns dias, nas minhas doces caminhadas matinais, ao andar pelas avenidas da cidade, notei um grande numero de trabalhadores trajando fardas cinza por todos os lugares lá estavam eles. Antes domésticas, estudantes, leitores, agora apenas usuários das fardas cinza.
Percebi que nas vestes citadas tinha slogans e bandeiras de outros países, talvez Austrália.
Na conversa entre dois trabalhadores, um deles afirmou que “era gente de fora que veio tirar Ipiaú do atraso”. Outro afirmou que não, que tudo isso é em nome do progresso.
Outro aspecto que pude observar na farda cinza, é que continha uma substância
Oxidante e ao usá-la ocorre o deslocamento automático da retina, ocasionando no indivíduo o que se convencionou chamar de cegueira cinzenta, já que se enxergam tudo nublado, portanto, cinza.
Ao usar as fardas, as pessoas não enxergam a realidade, a cegueira os impossibilita de ver o que está acontecendo com a cidade. Não consegue notar que as fardas são oferecidas aos colonizados, não notam também que os colonizadores vão cada vez mais longe com o imperialismo selvagem e que agora este lugar já é conhecido como a cidade das fardas cinza.
Percebi também que as pessoas ainda viam e questionavam, passavam de críticos à alienados quando lhes eram oferecidas as tai fardas, esta é símbolo de dominação, alienação, neo-colonialismo, onde elas chegam há mudanças nos modos de vida, a falsa idéia de progresso se expande e é reproduzida com o intuito de eliminar os questionadores tidos como “inimigos da cidade”.
Quando vejo nas madrugadas os grupos de usuários da farda cinza que tomam as praças e ônibus imagino para quem é o progresso, se para eles, se para a cidade que permanece desigual ou se está bem longe daqui os grandes beneficiários em algum lugar a procura de outras cidades para impor essa nova cultura, em que tudo é cinza, que vale tudo, qualquer preço se paga pelo falso progresso.
A cegueira cinza não permite calcular o preço a pagar: o alto índice de prostituição é justificado como algo natural; as doenças respiratórias têm outras causas; o aumento número de casos de depressão, ocasionado pelo novo modo de vida acelerado é explicado por ser o “mal do século”.
Resta, para os que ainda não são vítimas da cegueira cinza, usar a fórmula CIC
(Conscientização, informação e conhecimento) prevenção e combate de alienação e ingenuidade.
Pensemos nas fardas cinza, não como fonte de ascensão social, nem de progresso, mas como instrumento de alienação e lutemos para nos libertar da cegueira que nos impossibilita de ser seres questionadores e ativos, levando-nos a implantação de uma nova ordem societária baseada em valores coletivos.



Marília do Amparo Alves

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